Meus pais são evangélicos e desde criança freqüentei a mesma igreja que eles. Como até hoje freqüento e sou membro de uma igreja evangélica, os temas ligados à espiritualidade chamam minha atenção.
Não há como ignorar o crescimento dos evangélicos no Brasil e sua invasão na mídia. A televisão e a internet ampliaram a visibilidade deste grupo religioso que, a alguns anos atrás, estava concentrada somente em rádios AM.
Com a explosão do movimento, os evangélicos adotaram um discurso triunfalista que tomou conta até mesmo dos grupos mais conservadores. Ser crente é estar acima das circunstâncias. Prá ser sincero, não aguento mais as mensagens transmitidas nas músicas cantadas nos cultos e nos sermões, esbravejados em alto som, de que Deus está pronto para atender às nossas necessidades - especialmente no que diz respeito às nossas finanças. Uma mesmice irritante que às vezes me faz pensar que estou perdendo o meu tempo indo à igreja.
Minha memória não me ajuda, mas me parece que nos cultos que eu assistia com meus pais na congregação da Assembléia de Deus - Planta Uberaba (hoje chamada Hauer-Boqueirão, não gosto deste nome) não havia esta obsessão em afirmar e provar que Deus "é fiel" e está pronto para "restituir o que era meu" (ou será que já era assim e eu não lembro?). Até então o que incomodava nas igrejas era o discurso moral e legalista que, aliás, ainda prevalece. Mas hoje ele é associado ao status do indivíduo: se você não é "abençoado financeiramente" é porque deve estar em falta com o Senhor.
É por isso que uma mensagem que vai totalmente de encontro a esta onda que tomou conta do mundo evangélico soa como uma verdadeira profecia para uma geração que perdeu o seu rumo.
Aconselho todos a ponderar sobre a mensagem. No mínimo ouvirão algo diferente do lugar comum que é apregoado na quase totalidade dos púlpitos de hoje.
Infelizmente hoje não se prega como uns 20 anos atrás, ninguém prega salvação, somente prosperidade. Achei muito rico o texto. Parabéns!!!
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